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Este Site Está Novamente Em EVOLUÇÃO!

Seja bem vind@ à inevitável Evolução da antiga seção CRIA X EVO do WWW.XR.PRO.BR... Inteiramente dedicado à essa controvérsia, este site não pretende atacar religião alguma, mas sim demonstrar porque o Criacionismo não é aceito como Ciência, e porque a Evolução é o paradigma científico atual.

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20 de Abril

Enfim publicados os vídeos das minhas palestras no Youtube, realizadas em 07 de Abril deste ano.


Link direito no youtube A Evolução do Criacionismo
Link direito no youtube As Mutações do Criacionismo

A playlist com todas as palestras, 10 vídeos, está em Evolução X Criacionsimo.

26 de Março



É com prazer que anuncio a retomada de atividades no EVOLUÇÃO BIOLÓGICA! Após uma parada total no ano de 2014, o site retomará o projeto de foco na Psicologia Evolutiva e na crítica ao Determinismo Cultural, o "Novo" Criacionismo. Essas atualizações se darão após as palestras proferidas na UFRRJ, em Seropédica - RJ.



A primeira palestra será baseada no meu texto A EVOLUÇÃO DO CRIACIONISMO, a segunda, "As Mutações do Criacionismo", versará sobre o deslocamento do Criacionismo do plano geral para o "informacional" (o suposto aumento de quantidade de informação), e para o psicológico, aceitando a evolução biológica integral exceto no que diz respeito à mente humana, quer no sentido de "alma" para a doutrina católica, quer no sentido de suboordinada à linguagem pela Filosofia Analítica, bem como pelo Determinismo Cultural analisado em PSICOLOGIA EVOLUTIVA.

Segue o Cronograma.


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9 de Maio

Dando prosseguimento ao tema da Psicologia Evolutiva, publico um novo texto denominado TÁBULA RASA?, onde argumento porque o termo Determinismo Cultural delimita melhor o dito Modelo Padrão das Ciências Sociais e sua incrível resistência contra o Evolucionismo, a ponto de assemelhá-lo ao Criacionismo.

2 de Março

Apenas para informar que o SITE ORIGINAL está passando por uma transição de servidor.

1 de Fevereiro

Publico o novo texto PSICOLOGIA EVOLUTIVA, que funde interesses deste e de meu Site Original, se justificando não apenas por se tratar de uma derivação da Evolução Biológica, mas por ter como adversário um postura muitíssimo análoga ao Criacionismo, o Determinismo Cultural.

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1 de Outubro

Chamo atenção para o interessante texto Os Darwinistas Estavam Errados, há um tardio comentário meu (se o link não for direto pro comentário, adicione "#comment-2094" ao final do endereço).

Embora peque no estranho título, e algumas inobservâncias pontuais, se dá conta de algo cada vez mais urgente na questão, que é a percepção do atrelamento à religiosidade, e do fato desta emergir com força social de acordo com uma série de tendências contemporâneas.

Melhor reproduzir meu comentário aqui.

De fato é um texto muito bem vindo e toca em pontos fundamentais. Mas ainda falta delimitar o foco nuclear do problema. As pessoas lutam por sistemas de crenças que sejam relevantes para sua vida pessoal, por isso quando a idéia de Evolução Biológica não as afeta diretamente, não se importam com ela.

Muitos religiosos, por infelicidade, amarraram o criacionismo a uma crença pessoal da qual depende sua vida social e estabilidade emocional. Para muitos, admitir a evolução biológica é por em risco sua relação com a comunidade que os acolhe, com a família, ou mesmo a força psíquica que os mantém longe de problemas muito piores, como alcoolismo, drogas ou criminalidade. Ou, de modo mais sutil, que dá forças a um modelo comportamental que tem eficiência comprovada em estabilizar a sociedade e gerar bons frutos existenciais.

Por isso, atrelar evolução à ateísmo e pretender uma cruzada anti religiosa num mundo que está longe de oferecer uma alternativa melhor para a maioria das pessoas, é não apenas infrutífero, pode ser mesmo catastrófico.

Há muito digo que a crítica ao criacionismo jamais deveria se limitar ao campo científico, mas sim enfatizar o filosófico e abraçar o teológico, mostrando porque a Interpretação Literal da Gênese (que foi inventada nos EUA no século XIX) é teologicamente absurda. (Respeito à Gênesis)

A mais clara evidência da improcedência do criacionismo como sistema de pensamento puro é sua absoluta dependência do âmbito religioso. Trabalho com isso há mais de 12 anos e posso garantir que não existe criacionismo fora da religião. Por isso, seu crescimento é totalmente vinculado ao renascimento religioso em nossa sociedade. Este, por sua vez, responde a demandas severas da contemporaneidade, em especial um crescente vazio que certas influências supostamente progressistas têm forçado cada vez mais na civilização.

Talvez, como disse a Elisabeth, se as escolas conseguissem transmitir valores éticos e desenvolver valores estéticos e simbólicos invés de se preocuparem apenas em empurrar conteúdos técnicos ou reproduzir propaganda oficial deixando correr solta toda sorte de más influências, não precisariam tantas pessoas recorrer com tamanha frequência ao conforto das religiões.

Obs: A "Elisabeth" em questão na verdade comentou o texto noutro endereço, onde não pude comentar porque o blog exigiu login de Facebook para postar. Eu tenho uma conta no Facebook, mas decidi não usá-la para experimentar até que ponto vai essa infame tendência a transformar essa Rede Social estúpida no melhor candidato a Big Brother Orwelliano que já existiu na internet. Se fosse algo remotamente próximo de uma iniciativa estatal, já teriam pipocado milhões de protestos contra as pretensões totalitárias do estado, ao passo que mega corporações privadas, por outro lado, podem pretender ser totalitárias a vontade que ninguém parece se importar!

13 de Maio

Excerto da Resposta à Mensagem 320 com adaptações

Inequivocamente, a noção de Progresso, e melhora, contamina a de Evolução Biológica, sempre gerando prejuízos conceituais. Seu surgimento no âmbito cultural vitoriano do Darwinismo, também tem muito potencial esclarecedor. Assim, é inevitável concluir que a confusão entre Progresso e Evolução acompanha toda a história do pensamento evolutivo.

Penso que o mais relevante é a própria noção do que seria 'melhorar', pois num certo sentido, pode-se dizer que as espécies, uma vez evoluindo no sentido de melhor se adaptar ao ambiente, "progridem" nesse sentido, isto é, em sua capacidade de sobreviver, mas desde que esse seja o único parâmetro relevante, e que se faça vista grossa para o fato do processo evolutivo exterminar inúmeros indivíduos e espécies, e muitas vezes depende de um sacrifício da maior parte da população para ser viável.

Se transplantássemos isso para o mundo humano, a analogia seria desastrosa. Teríamos que admitir que condutas brutais como estupro sistemático ou a opção por uma vida estúpida mas estável são "melhores" que a solidariedade e aperfeiçoamento pessoal e ousadia. Ou que a multiplicação populacional das áreas miseráveis, às custas de imensa mortalidade infantil, é "melhor" que ter alta qualidade de vida com população estável.

Portanto, o problema talvez nem esteja tanto na idéia de "evolução" em si, cujo latim evolvere significa literalmente "desenvolver" / "desenrolar", nesse sentido, podendo ser entendido como Mudança Adaptativa. Embora até isso possa ser questionado, visto que é possível considerar que evoluiu uma espécie que terminou, por tais mudanças, se extinguindo por deixar de se adaptar ao ambiente.

Em suma, é mais a subjetividade do conceito de "melhora" que gera complicações, pois até mesmo o termo "Progresso" também é, em parte, contaminado por essa subjetividade. Por exemplo, as conquistas de certos grupos sociais são sem dúvida uma mudança, pode-se dizer, uma evolução. Mas são uma melhora? Vai depender do viés ideológico. São Progresso ou Retrocesso? Ou mesmo no sentido de Progresso, porque não poderíamos falar numa "progressão para o pior"?

O problema então está na "melhora" em si. Costumamos aceitar a noção de Progresso nesse sentido, e num uso coloquial do termo, também a de Evolução. Mas em Evolução Biológica é prudente afastar essa contaminação.

No entanto, isso não impede que, ao menos no que se refere à espécie humana, possa-se defender uma melhora, ou superioridade, de várias formas distintas.

Ora, costumamos dizer que espécies que possuem um maior acúmulo de variações, e uma história natural mais longa, evoluíram mais. Embora seja possível espécies bem mais antigas e longevas que tenham acumulado poucas variações, bem como o contrário. Assim, ao desenharmos uma árvore evolutiva, é inveitável usar a imagem de "subir" na escala, nos levando ao conceito de 'Superior' e 'Inferior'.

Isso pode ser apenas por motivos visuais, mas também pode ser entendido num sentido ideológico, principalmente aplicado à espécie humana. Afinal, ela evoluiu até se tornar a espécie mais bem sucedida do planeta, se adaptando, por meios tecnológicos, a qualquer ambiente, inclusive aqueles em que nenhuma outra espécie jamais poderia, como o Espaço Sideral por exemplo. É dificílima de ser exterminada por qualquer outra espécie, sendo mais fácil que ela própria se aniquile, bem como a toda vida na Terra, do que venha a ser eliminada. Se multiplicando pelo mundo de modo invencível.

Assim, como negar sua superioridade adaptativa?

Ainda assim alguém pode questionar se isso é de fato bom ou ruim. Alguém pode dizer que seria melhor não ter desenvolvido inteligência, não ter saído das cavernas, não ter se espalhado pelo mundo, etc.

Por isso mesmo, devemos manter o conceito de "melhora" longe da reflexão evolucionista biológica, pois só gera confusão a ser perniciosamente explorada pelos criacionistas.

Marcus Valerio XR
original de 17 de Junho de 2012


Excerto da Resposta à Mensagem 319 com adaptações

Devemos ceder à realidade e começar aceitando o fato de que a maioria das pessoas não está realmente interessada em compreender os aspectos mais complexos de qualquer teoria científica, portanto, não se espere que haja um entendimento satisfatório popularizado.

O que se pode esperar é, principalmente, que quem quer que esteja disposto a comentar sobre o evolucionismo, qualquer que seja o motivo, entenda ao menos os princípios básicos, coisa que a quase totalidade dos criacionistas não passa nem perto. Portanto, para que impere a decência e a honestidade é preciso em primeiro lugar que os críticos da evolucionismo biológico o entendam, e segundo que sejam honestos sobre esse entendimento.

Por parte dos defensores ou ao menos não adversários, deve ser entendido que a evolução biológica, e quaisquer das suas conclusões, EM NADA SE RELACIONAM a questões a respeito da existência de Deus ou do Mundo Espiritual. Usar o Evolucionismo para defender o Ateísmo é uma impostura. O máximo que se pode dizer é que o mesmo não é compatível com uma interpretação literal da gênese bíblica.

Dito isso, é preciso também entender que nenhuma teoria científica se sustenta em sua mera simplificação, e que muitíssimo menos pode ser provada. Ao contrário do que nos sugere o senso comum, NÃO HÁ COMO PROVAR TEORIAS!

Centrando direto no assunto, o máximo que se pode fazer é explicá-la satisfatoriamente, sem viéses ideológicos, e contar com a boa vontade do ouvinte.

Curiosamente, é exatamente esse o objetivo deste site, e por isso mesmo pode-se ver o quanto a questão depende da boa vontade do interessado no assunto.

Espero que qualquer um que venha até aqui e leia atentamente alguns textos, por mais criacionista que seja, ao menos terá que admitir que a Evolução Biológica não é um delírio idiota tentando se sustentar por meio de fraudes estúpidas no afã desesperado de derrubar a civilização cristã. Se não houver ao menos essa disposição, tudo o mais é inútil.

Também não espero que alguém abandone sua fé ou mude sua visão pessoal de mundo, já estando completamente satisfeito em ajudar que um criacionista se torne suficientemente desenvolto para fazer críticas sérias do modelo evolutivo, que tem problemas que devem ser criticados sim, principalmente do ponto de vista filosófico.

Essa crítica é útil, pois pode não haver dano maior para uma visão científica do que perder a noção de realidade e se considerar portadora de VERDADES.

Por fim, é possível sim ensinar evolução de modo simples e satisfatório, mas sempre contando com a sinceridade e boa disposição de quem aprende. Porque não havendo isso, nem mesmo a mais perfeita metodologia pedagógica baseada na mais impecável teoria científica será capaz de superar a desonestidade íntima ou a estupidez orgulhosa.

Marcus Valerio XR
original de 13 de Maio de 2012

29 de Janeiro

Enfim um texto novo. Em A Bíblia e o Universo Aquático, demonstro que a visão original da bíblia sobre o universo é ainda mais estranha à nossas concepções atuais do que a maioria sequer imagina, apesar de ser cristalinamente evidente no próprio texto bíblico. Sobretudo, remete à idéia de CAOS primordial, em perfeita consonância com a maioria das mitologias, e cosmogonias em geral, que não podem prescindir do conceito de Caos.

A consequência imediata disso para a discussão é mostrar, mais uma vez e de uma forma bem mais dramática, que a interpretação literal da Gênese não tem cabimento para qualquer um que pense poder extrair uma leitura compatível com nossos conhecimentos atuais.

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(Parte do texto A EVOLUÇÃO DO CRIACIONISMO)
POR QUE OS D.I.stas SE RECUSAM A TEORIZAR SOBRE O PLANEJADOR?

É simples. O método utilizado por Darwin para desenvolver sua teoria foi hipotético dedutivo. Isto é, ele primeiro parte dos dados da natureza, como se faz em qualquer ciência, tenta distinguir uma padrão nesses dados, e então formula hipóteses para explicá-los. Dessa hipótese deduz consequências e verifica se elas se encaixam com os dados obtidos, e prevê que dados poderão ou não ser encontrados. Muitas hipóteses podem ser descartadas até que uma se conforme com os dados, e então será frequentemente testada para ver se é corroborada ou falseada, e é assim que a maioria das teorias científicas funciona. Para que o DI ou o Criacionismo "Científico" fossem ciência, teriam que seguir basicamente esse método. Isso torna inevitável levantar hipóteses sobre o Planejador, e testar os dados de modo a conformá-la ou não. O problema é que se fizerem isso, ficará evidente que nada mais farão do que empurrar o deus bíblico pela porta dos fundos. Vejamos por quê.

1 - O MENOR DOS PROBLEMAS é que se por um lado podemos ter certeza de que algo foi projetado, nunca teremos se não o foi. Ninguém acreditará que uma escultura de barro com a forma perfeita do Cristo Redentor foi formada apenas pela erosão e pelas chuvas, mas por outro lado uma coisa completamente disforme, típica das montanhas ou das pedras, além de poder ser resultado de ações naturais, TAMBÉM PODE SER RESULTADO DE AÇÃO INTELIGENTE! Temos a Arte Moderna e Abstrata para não deixar dúvidas quanto a isso. Por isso, se partirmos da hipótese de que a vida não foi planejada, essa hipótese poderá ser testada, pois bastará achar uma coisa suficientemente perfeita para fazer esse teste, como os próprios criacionistas admitem. Mas se partirmos da hipótese contrária, de que a vida foi planejada, nunca poderemos testá-la, pois como já vimos, qualquer evidência em contrário também poderá ser resultado de design.

2 - Os grandes problemas começam quando notamos que temos que trabalhar sempre com hipóteses de planejamentos locais. Se acharmos algo que nos convença ser obra de inteligência, só podemos admitir que AQUILO em si foi projetado, pois se admitirmos isso para tudo o mais, pelo motivo acima, qualquer desenvolvimento teórico seria inviabilizado. Assim, é perfeitamente possível que tenhamos estruturas projetadas e não projetadas convivendo no mundo, e isso nos permitiria apenas pressupor um designer restrito. Se achássemos que o sistema imunológico é intencionalmente projetado, teríamos que considerar a intervenção apenas nesse caso, visto que diversos outros sistemas não são tão eficientes, e o simples fato de que seria muito mais plausível que seres inteligentes tenham tentado aumentar nossas chances de sobrevivência fazendo apenas isso, do que seres que tivessem feito tudo construiriam doenças e depois o sistema imunológico, tendo o dobro de trabalho. Planejamento PRESSUPÕE eficiência.

3 - Disso, quer sejam inteligências extraterrestres de ordem natural ou mesmo divindades específicas, permitiriam supor sempre planejadores imperfeitos, o que aliás tenderia a ser fortemente corroborado pelas evidências disponíveis. Talvez de vários planejadores trabalhando em áreas diferentes, as vezes até em conflito uns com os outros. Mas é claro que isso não interessa aos criacionistas, pois eles querem empurrar o deus bíblico, que é supostamente perfeito, e aí ficará a pergunta: Como explicar a imperfeição na criação de um ser perfeito?

4 - Aí, essa suposta nova ciência imediatamente se revelará a velha teologia, pois a explicação inevitável é que um ser perfeito projetou tudo, mas algum evento introduziu a imperfeição no mundo, o que resultaria em todas as irregularidades, defeitos e até perversões. Estaremos então de volta ao problema clássicos da teologia cristã, que explica a corrupção da criação devido ao pecado original mas caí perpetuamente nas contradições da Existência do Mal e da Onipotência, Onisciência X Livre Arbítrio, Justiça Divina X Inferno Perpétuo e etc.

Ou seja, qualquer tentativa de teorizar sobre o designer gerará ou uma teoria sobre um planejador imperfeito que não interessa ao criacionismo, ou desmascarará instantaneamente qualquer véu de honestidade científica, deixando claro que tudo não passa de reafirmação do velho conservadorismo religioso.

(Parte do texto A EVOLUÇÃO DO CRIACIONISMO)

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Excerto da Resposta à Mensagem 296 com adaptações
Nenhum progresso científico do último século conseguiu fazer com que os criacionistas mais tradicionais repensem suas perspectivas, embora repensem suas estratégias. Uma coisa é um velho cientista e seu séquito morrer apegado à idéia de Éter, outra, bem mais complicada, é uma comunidade religiosa inteira misturando crenças milenares com posturas pretensamente científicas que são tornadas tão imunes à revisão quanto os próprios dogmas de fé. É impossível uma atividade científica progredir desta forma. O que nos leva diretamente ao ponto mais importante. Nada há de errado em apostar numa posição criacionista como concorrente séria à posição científica dominante a não ser sua completa falta de resultados. Lembremos que o evolucionismo não é somente uma explicação abstrata sobre um tema pragmaticamente desconectado da atividade científica, ela está profundamente amarrada com a produção de conhecimento prático, incluindo a medicina, e ainda mais importante, apresenta uma vasta consistência capaz de interligar diversas áreas do conhecimento. Para concorrer com o evolucionismo, os criacionistas teriam que mostrar uma ampla produção de saber, que desse conta de explicar não apenas questões isoladas, mas um todo coerente, o que necessariamente pressupõe uma investigação conjunta entre diversos pesquisadores e entidades, pois foi-se o tempo que isso podia ser feito por um único pensador. Pense bem, coordenando interesses com suas comunidades, os criacionistas poderiam obter financiamentos bastante significativos, haja visto a força e integração que possuem. Se ao menos 1% de tudo o que é arrecadada pelas igrejas fosse canalizado para pesquisa científica, só no Brasil o orçamento provavelmente seria maior que o de muitas instituições estatais. Por que não o fazem? Quase certamente porque, em primeiro lugar, não há essa coerência nem mesmo entre eles próprios. Como poderia então haver num âmbito mais amplo? Não esqueça que o evolucionismo mostrou a que veio. Revolucionou uma produção científica, unificou a 'História Natural' e deu origem à Biologia que hoje conhecemos, conectando-as harmonicamente com a Antropologia, Geologia, Paleontologia e etc. Concorrer com esse paradigma não é tarefa simples, é preciso mostrar muito resultado, e provar idoneidade, para se apresentar como uma alternativa. E digo idoneidade no sentido de convencer que se trata de uma postura comprometida antes de tudo com o conhecimento.

Enfim, penso que essa questão passa exatamente pelo texto A Evolução do Criacionismo.

Marcus Valerio XR
original de 18 de Novembro de 2010

A partir de agora, darei um destaque maior a alguns dos textos produzidos no Livro de Visitas, visto que grande parte, a maior, do material deste site está lá, e acaba ficando escondida, obscurecida pela sucessão interminável de mensagens. É uma forma de reaproveitamento de material, ao menos enquanto não reformular visualmente este site, visto que pelo tamanho, está ficando difícil localizar alguns temas.

Excerto da Resposta à Mensagem 269 com adaptações
Há diversos mistérios que desafiam e possivelmente permanecerão desafiando nosso entendimento, e creio que o advento da mente é o maior deles. Somos seres INTENCIONAIS que vivem num mundo permeado por eventos físicos supostamente NÃO Intencionais, o que coloca uma divisão entre nós que pode ser vista na relação Sujeito e Objeto. É muito difícil, possivelmente impossível, explicar como se dá a passagem do Não Intencional para o Intencional. É possível que o limiar seja qualitativo, e intransponível. Para solucionar essa dificuldade, há basicamente 3 opções lógicas. Colocar a Intencionalidade prévia a perpetuamente no mundo Físico, afirmar que a mesma surge em algum momento no mundo Físico, ou remove-la da mente. A última é evidentemente inaceitável e só é considerada na cabeça dos niilistas mentais, como os behavioristas ontológicos, ou talvez o venha ser por computadores mais avançados. As demais são respectivamente representadas pela totalidade do pensamento religioso e parte do filosófico, a Primeira, e por parte do filosófico e maior parte do científico, a Segunda. Os criacionistas são então defensores da manutenção perpétua da intencionalidade na natureza. Infelizmente, mal se dão conta dessa sutileza e colocam tudo em termos de criação divina, o que simplesmente destrói a questão em si transformando tudo em Poesia X Lógica (como se isso fosse possível), ou mero Design Inteligente, que apenas torna a questão fundamental um tanto obscura e pode, por um lado, voltar ao non-sense da primeira, ou permitir atingir a profundidade da segunda. O que digo, afinal, é que por trás de toda a longa e possivelmente circular discussão entre Criação e Evolução, está por trás algo que possui uma complexidade, e uma beleza, muito mais pura e fundamental do que pode crer o criacionista médio, ou o evolucionista que está interessado na vida apenas enquanto fato científico. Trata-se da noção de que a mente humana, nossa consciência, é algo radicalmente distinto das demais coisas do mundo a ponto de que sua base física, o corpo humano, bem como sua manifestação, sejam coisas que mereçam tratamento radicalmente diferente dos demais objetos físicos, e mesmo dos animais. A importância dessa distinção é pura e simplesmente ABSOLUTA! E sem ela nada mais faria o menor sentido. As leis se fundam nela, as nações, o conhecimento, a arte, tudo tem como base a premissa inviolável da superioridade intrínseca da mente sobre a matéria. Muitas vezes inconsciente, mas SEMPRE presente. Enfim, a discussão séria é só uma:
A INTENCIONALIDADE SEMPRE EXISTIU? OU PASSOU A EXISTIR?
Ambas são plausíveis, embora a última, a meu ver, esteja longe de sequer passar pela cabeça da maioria dos cientistas evolucionistas, e a primeira, como eu já disse, esteja tão misturada em meio a bobagens na cabeça da maioria dos religiosos que costuma ser inútil tentar discerni-la. A segunda, curiosamente, pressupõe que a Matéria precede a Mente, e por isso gosto mais da primeira posição que pode ser dividida em duas:
A NÃO-INTENCIONALIDADE SEMPRE EXISTIU? OU PASSOU A EXISTIR?
Ou seja. Tendo sempre existido um plano mental intencional (pode chamá-lo de Deus se quiser, embora eu ache que esse temo carrega uma carga inaceitável), este plano sempre concorreu com um mundo material, DUALISMO MENTE/ESPÍRITO e MATÉRIA, ou a Matéria surge depois, provavelmente produzida pela Mente? Aí, sim. Começamos a discutir com seriedade, pertinência e profundidade, mesmo sabendo que possivelmente jamais chegaremos a uma resposta.
Marcus Valerio XR
original de 6 de Julho de 2009

Há 10 anos venho dizendo que o Criacionismo "Científico" e seus filhotes mutantes, o Design Inteligente e as ditas "Teorias da Informação e Complexidade", são incrivelmente simples em sua estrutura e pretensões. Enquanto uma produção científica normal, por mais que envolva pressupostos e preconceitos, acaba funcionando na forma de construções de teorias para explicar fenômenos observados, criacionistas funcionam na forma de fabricação de "fenômenos" para se acomodar a uma visão prévia de natureza que nem sequer é uma teoria.

Os cientistas só tiveram sua visão de natureza devidamente definida após a Revolução Biológica do século XIX, os criacionistas, e adeptos do planejamento, já a tinham completamente definida desde a fundação de suas religiões! Os crentes já "sabem" tudo o que querem saber sobre o assunto.

Enfim, qualquer descoberta que enfim venha a acontecer, ao mesmo tempo que muda os rumos da pesquisa científica, em nada afetará as crenças prévias de quem acha ter acesso privilegiado a instâncias divinas da natureza. Se não fizer diferença para seu pré-conceito, o crente pode adotar as novas evidências, mas se for entendida uma incompatibilidade séria com os pressupostos religiosos, simplesmente a recusará.

Podemos inferir o dano devastador que essa postura de prepotência epistêmica prévia causou sobre qualquer pretensão séria de estabelecer uma alternativa à Teoria da Evolução vigente. Qualquer pessoa que, como eu próprio, tinha expectativas sobre a construção de uma teoria real para investigar a possível existência de um planejamento existente na natureza, que nutria alguma esperança de ser possível detectar sinais prováveis de interferência intencional na evolução, tiveram que se frustrar e se resignar a duas alternativas.

Ou insistir e ser engolido por fraudes como o Design Inteligente, passando a ser considerado representante de algo que jamais pretendeu ser e tendo seu pensamento roubado para subsidiar conservadorismo disfarçado de progressismo. Ou simplesmente desistir e preferir se concentrar em combater a cruzada conservadora contra o desenvolvimento do pensamento, antes que essa causa um dano tal que não só prejudique a produção científica padrão, como frustre qualquer possibilidade de se estabelecer uma alternativa real à mesma.

Sim, pois qualquer iniciativa séria de tentar detectar evidência de um possível planejamento ou qualquer mecanismo alternativo à simples Reprodução-Variação-Seleção, não pode tolerar se misturar com iniciativas que no fundo não tem outro objetivo a não ser arrastar os incautos às igrejas. E não estou dizendo que esteja insatisfeito com os rumos do Evolucionismo biológico atual, mas apenas com o fato de ele não poder dialogar seriamente com hipóteses alternativas, como podem fazê-lo as Teorias do Big-Bang, da Relatividade ou das Supercordas.

Ao menos de uma coisa, os criacionistas poderiam poupar a sociedade. De dizer que estão interessados no bem do conhecimento e na qualidade da produção científica, e que o evolucionismo é um erro que tem gerado maus resultados em termos estritamente científicos. Que diga que pressupostos evolucionistas sejam prejudiciais nos campos sociais, políticos, éticos ou religiosos é uma coisa que merece ser discutida (como já fiz em Ética e Evolução e Revolução Biológica), mas dizer que ele tenha sido prejudicial à ciência não tem outro nome a não ser "Fraude Intelectual".

Até agora, em seu quase um século de história, esmiuçada em A Evolução do Criacionismo, os criacionistas foram absolutamente incapazes de produzir uma única contribuição à ciência. Ou melhor dizendo, um pressuposto criacionista, ou de Design Inteligente, é absolutamente inútil para qualquer fim concreto em termos de produção científica. Pode até não atrapalhar, mas certamente não ajuda. Pode-se até tê-lo em mente ao realizar alguma pesquisa, mas será tão inócuo quanto rezar Ave Maria enquanto se espera o resultado de uma análise de DNA.

Frequentemente os criacionistas alegam que são discriminados e sofrem perseguições, o que apenas serve de desculpa para sua completa incompetência como cientistas, visto que dinheiro não lhes falta, e já tem, ou alegam ter, instituições de pesquisa próprias. Com um esforço mínimo, os criacionistas poderiam mobilizar igrejas e fiéis e arrecadar fortunas impressionantes, direcioná-las para fins de pesquisa científica em qualquer área e conduzí-la sob seu paradigma religioso. Poderiam investir em qualquer coisa, em produzir vacinas, descobrir cura para doenças, fazer pesquisas termodinâmicas e etc.

Se houvesse UM ÚNICO resultado minimamente aproveitável, ele seria muitíssimo mais útil à causa criacionista do que toda a incessante produção pseudo teórica que se contenta em penetrar no ensino básico. E creio que isso seja óbvio. O que fez a Biologia ser o que é, sob o paradigma evolucionista, foram seus resultados concretos.

Mas é claro que isso jamais ocorrerá. Os criacionistas e DIstas sabem muito bem que não tem chance alguma de produzir qualquer resultado relevante porque seu pressuposto é completamente desassociado da investigação natural. É, e sempre será, apologética religiosa.

Marcus Valerio XR
Iniciado em 22/02/10 e
retomado em 13/05/10

27 de Outubro de 2004
FINALMENTE!!!
Está no ar o primeiro site 100% nacional inteiramente dedicado a controvérsia EVOLUÇÃO X CRIAÇÃO do ponto de vista Evolucionista. Outrora estas páginas funcionavam como parte de meu outro site WWW.XR.PRO.BR, mas este tem como principal enfoque os temas de Filosofia e Ficção Científica, de modo que um desmembramento era extremamente desejável. Todos os textos antes presentes em WWW.XR.PRO.BR estão integralmente aqui, e novos textos já estão sendo constantemente produzidos. As discussões com visitantes também estão sendo transferidas para o Livro de Visitas local. O principal objetivo deste site é oferecer tanto a Criacionistas quanto a Evolucionistas, razões pelas quais o paradigma Evolucionista é tão fortemente estabelecido hoje em dia nas Ciências, e o porquê de entre estas não haver lugar para o Criacionismo, mesmo o que se diga científico. Não nutro a menor ilusão de que irei convencer Criacionistas de que a Evolução de fato ocorreu, e ocorre, bem como recomendo aos Criacionistas também não nutrirem a ilusão de que irão converter Evolucionistas à sua opção religiosa. Este é um espaço onde todas as opiniões relevantes ao tema serão bem vindas e onde mesmo os Criacionistas tem plena liberdade de expressão. Um espaço onde você pode publicar sua idéias sejam elas de que posição forem, limitadas apenas pelas regras da polidez e do bom senso. Para usar este espaço basta deixar uma mensagem na PÁGINA DE VISITAS, dependendo da dimensão e profundidade da mesma, ela pode ganhar uma página própria, como sempre foi feito no WWW.XR.PRO.BR Muito obrigado pela participação.
Amigavelmente
Marcus Valerio XR
27 de Outubro de 2004